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  • V.

Estima-me [-a-mim]!

Atualizado: Abr 21

Estava a fazer uma breve reflexão geral sobre as crianças e adolescentes que acompanho em terapia, quando decidi fazer este texto. Existem muitas problemáticas que os trazem a um acompanhamento, mas há uma que na maioria das vezes os afecta substancialmente – a auto-estima. Os próprios pais, na maioria das vezes quando os recebo têm preocupações em relação às emoções e sentimentos de (in-)felicidade das suas crianças/jovens. Na verdade esta felicidade depende da auto-estima que eles têm e que pode melhorar ou piorar, dependendo do que sentem e como gerem a situação.


A verdade é uma: nenhum bebé nasce com sentimentos negativos sobre si próprio. À medida que vai crescendo capta as mensagens que lhe vão sendo transmitidas no seu meio-ambiente, reforçando, ou não, as mensagens que começou a criar de si.


Existem muitas formas de uma criança manifestar baixa auto-estima e sentimentos de inferioridade. Na minha experiência clínica, consigo perceber esta realidade, não pela capacidade ou incapacidade de valorização que faz de si, mas por um conjunto de comportamentos apresentados: ser autocrítica, recorrer a truques para chamar a atenção (ex: “fazer de palhacinho”, chorar, necessidade de ganhar, culpar os outros, inventar desculpas para tudo e estar constantemente a desculpar-se, ter medos, desprender-se de objectos ou coisas pessoais, fazer batota nos jogos, perfeccionismo, provocar, isolamento social, desconfiar das pessoas, estar sempre na defensiva, ser incapaz de escolher e tomar decisões, estar frequentemente na defensiva, comer em excesso ou revelar falta de apetite, nunca dizer “não”, dificuldades para experimentar coisas novas/desafios, ser muito tímido/retraído, ser muito “gabarolas”, necessitar de muitos objectos/coisas, desenvolver condutas anti-sociais…. – Muitas vezes, nem elas nem os próprios pais, tem a consciência disto, mas sabem que algo não está bem. Um bom exemplo disto, é o facto da nossa sociedade reconhecer e elogiar os comportamentos descritos como de “bom aluno”, não evidenciando para os agentes educativos um sinal de preocupação, no seu sistema emocional, por correspondem ao expectável. Todavia, e com muita regularidade estas revelam sinais de dificuldades nos sentimentos sobre si próprias. É preciso conversar, é preciso estar-se atento.


Por isto, e de modo a continuar um trabalho conjunto, deixo-vos algumas “luzes”, que espero que vos ajudem a incrementar a auto-estima nas vossas crianças/jovens:


- Aceitar a criança/jovem, como ela é.

- Ouvir, escutar, reconhecer e aceitar os sentimentos da criança/adolescente.

- Tratar a criança/jovem com respeito.

- Fazer elogios específicos sobre determinada característica, acção…

- Dizer sempre a verdade, por mais difícil. As crianças preferem a sinceridade.

- Evitar as mensagens e frases começadas por “Tu…”, transformando-as em “Eu” [ex.: “tu és sempre a mesma coisa, sempre com a televisão aos altos berros” (…) “eu estou incomodada(o) com o barulho da televisão, podes baixá-la um pouco?”.

- Seja específico nas suas críticas – evite o “tu sempre...” ou “tu nunca…”.

- Nunca generalize um comportamento com uma acção. “Tu és um mentiroso…. Nesta situação mentiste-me e isso aborreceu-me muito!”.

- Dê responsabilidades, independência e liberdade para fazer escolhas – as crianças embora necessitem de regras, controlo, limites e firmeza ao longo do seu desenvolvimento, necessitam também e com grande premência de aprender a gerir-se a si próprias, com algum espaço.

- Seja um bom modelo – fazer coisas por si, pensar bem de si, cuidar de si, ter um tempo para si…

- Os pais/cuidadores devem respeitar os seus sentimentos, necessidades, desejos, sugestões, sabedoria …

- É importante promover em determinadas situações inserir a criança na resolução de problemas e na tomada de decisões que sejam relacionadas com a sua própria vida.

- Evite ser muito crítico, dizer/utilizar muitos “deverias isto…deverias aquilo” e conselhos ou frases que não sejam necessários.

- Ouvir e levar a sério as crianças é fundamental. Mesmo quando pensamos que não, elas tem o seu próprio juízo. Aceitem-no, mesmo que não concordem.

- Demonstrem o vosso amor, cuidado, afecto e respeito pelos miúdos - pelas acções, pelas palavras, pelos abraços, pelos gestos, pela escuta activa...

- E não se esqueçam, todas as crianças precisam e gostam de se sentir especiais e únicas aos “olhos” de quem as cuida – principio da identidade!


Espero que estas “luzes” vos ajudem na relação com os vossos filhos, ao mesmo tempo que as ajudam a crescerem mais saudáveis e felizes.


Não se esqueçam que as crianças não reforçam a sua auto-estima pela contradição do que elas pensam ou sentem de si “sou feio/a… não és nada”, mas sim ao serem ajudadas a explorar tais sentimentos e pensamentos, com compreensão e aceitação. Somente assim a mudança acontece de dentro, através da conexão consigo mesmas. Respeitando-se, criando uma sensação de bem-estar e felicidade para com elas. O processo de aceitação demora tempo, mas quando chega, é tão profundo que não desaparecerá.


Cultivem o amor. Espero-vos bem, nesta época de cuidados especiais. Salvaguardem-se. Não saiam de casa #ficaremcasa porque #vaificartudobem



Até já,

V.


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